Uma das esperanças do Brasil no atletismo era a participação de Fabiana Murer, recordista brasileira e sul-americana do salto com vara. Uma das modalidades mais difíceis do atletismo, ela consiste em usar uma vara flexível para se alçar ao ar e passar por cima de uma barra – tecnicamente chamada de fasquia ou sarrafo. As varas, atualmente, são feitas de fibra de carbono – indicadas para atletas mais rápidos, pois tem retorno mais rápido da envergadura – ou de fibras de vidro – estas indicadas mais os saltadores mais lentos.

O problema que aconteceu com Murer em Pequim foi o sumiço de uma de suas varas quando ela se preparava para dar seu segundo salto. Os atletas podem saltar no máximo três vezes para cada altura, mas caso já tenham ultrapassado a marca podem passar para a altura seguinte. As varas tem entre 5 e 6 metros, pertencem aos atletas e são usadas 5 delas durante a competição.

Fonte: Terra

A pista da prova tem deve ter 45m, e os atletas correm com a vara nas mãos. Essa é a primeira parte da prova, e uma das mais importantes, pois o número de passadas que o atleta dá durantre a corrida influencia na velocidade com que chegará ao momento do salto. As mulheres costumam dar 16 passadas, enquanto os homens dão cerca de 18 ou 20. A segunda parte da prova é quando o saltador, então, põe a vara em uma caixa de apoio de 20cm de profundidade e se alça para cima, sendo projetado sobre o sarrafo pela energia elástica acumulada pela vara. Aí, ocorre a fase aérea e a acrobática: na primeira, o atleta se joga para o alto, e na segunda, gira o eixo da vara para inverter a posição do corpo e passar pelo sarrafo, caindo depois de costas para o chão.

A prática surgiu na Europa, quando alguns homens descobriram a técnica de usar uma vara para cruzar obstáculos, como canais de ‘água por exemplo. Como esporte, já era disputado no masculino desde o início do século XIX, sendo que esteve presente na primeira Olimpíada da era moderna, disputada em Atenas em 1896. Por muito tempo, entendia-se que as mulheres não teriam a força suficiente para executar os movimentos, de modo que a prova feminina só passou a ser disputada em Olimpíadas a partir de 2000. Desde então, o principal nome do esporte é a russa Yelena Isinbayeva, que soma 26 recordes mundias, o último deles estabelecido em Pequim, com a marca de 5,05m. O primeiro recorde da prova, de 1992, era de 4,07m. No masculino, o grande nome da história é o ucraniano Sergei Bubka, que saltou 6,14m em 1994. Desde então, o feminino superou o masculino em termos de visibilidade, muito graças às performances de Isinbayeva e seu poder de marketing, potencializado pela sua forma física e beleza.

Muitas das saltadoras são ex-ginastas. O salto com vara envolve velocidade, coordenação e flexibilidade, e os últimos dois requisitos são muito bem trabalhados na ginástica artística. Não é a toa que tanto Isinbayeva como Murer foram ginastas na infância. A grande diferença é que, ao contrário das ginastas, as saltadoras são altas e magras. O treinamento do salto com vara envolve saltos, corrida, muita ginástica e musculação.