50 livre feminino – Steffen ganha segunda prova e Dara Torres é prata

Disputada em Olimpíadas desde 1988 no feminino, a prova de 50 livre tem como maior nome na história a holandesa Inge de Bruin, bi-campeã olímpica. Mesmo com a aposentadoria da estrela, o país estava bem representado, com a presença na final das holandesas Hinkelien Schreuder e Marleen Veldhuis. A útlima, inclusive, quebrou em março o recorde mundial da prova que pertencia a de Bruin desde 2000.
Cinco dias depois Libby Trickett tomou o recorde para si e foi a primeira nadadora a baixar dos 24” na prova, nadando para 23”97 na seletiva australiana. Completando a briga pelo pódio, Dara Torres, americana de 41 anos, e a australiana Cate Campbell, de apenas 16 anos. A prova prometia uma disputa entre gerações e uma briga forte pelo pódio.

Torres marcou o melhor tempo na semi-final e nadava na raia 4 pelo primeiro ouro olímpico individual de sua carreira. A forma física da atleta impressionou a todos. Depois de ter uma filha e se aposentar após as Olimpíadas de Sidney, Torres passou a disputar torneios master nos Estados Unidos. Foi convencida a voltar aos treinos pelo técnico Michael Lohberg – que treina atletas de diversos outros países e está seriamente doente, sendo impedido de ir a Pequim. Nas seletivas americanas, conquistou a vaga nos 50 e 100 livre, mas optou por nadar apenas a primeira e os revezamentos 4×100 livre e medley. Dara já era a nadadora americana mais velha dos Estados Unidos a participar de uma Olimpíada e, se conquistasse uma medlaha, seria também a mais velha da história a conseguir tal feito.

Ao seu lado, na 5, estava Cate Campbell, nascida em 1992, ano em que Torres conquistava sua quarta medalha olímpica em sua terceira Olimpíada. A australiana classificou melhor que Trickett, mas mesmo assim a recordista mundial era um dos nomes mais fortes para a prova.

Como qualquer prova de 50 livre, foi tudo muito rápido e Torres parecia ter uma ligeira vantagem sobre Campbell. Mas, nos últimos metros, a campeã dos 100 metros Britta Steffen forçou muito e levou o ouro por apenas 1 centésimo. Dara Torres conquistava a prata, sua melhor colocação individual em Olimpíadas. Campbell levou a melhor na disputa australiana e tirou o bronze de Trickett por 8 centésimos. Veldhuis também não foi bem e marcou apenas a quinta marca, com 25”26.

Mesmo com a prata, Torres fez história. Para se ter uma idéia da grandiosidade do feito, os 24”07 de Torres são novo recorde americano. A primeira vez que Torres bateu essa marca foi em 1982, quando ainda era uma garota de 15 anos. São nada menos do que 26 anos de diferença entre os dois recordes, idade menor do que a campeã da prova, Steffen, que tem 24.

1500 livre masculino – Não deu para Hackett

Após o louvável 5º lugar de Pieter van den Hoogenband, as esperanças de que a natação saísse de Pequim com seu primeiro tri-campeão olímpico recaiam sobre Grant Hackett. Duas vezes ouro nos 1500 livre (Sidney e Atenas), o australiano buscava o lugar mais alto do pódio para escrever seu nome na história.

Após um tempo fora de forma, Hackett chegava bem à capital chinesa, tendo batido o recorde dos 800 livre em piscina curta semanas antes dos Jogos. Nas fortes eliminatórias da prova, onde foi necessário nadar para 14’49 para se garantir na final, Hackett fez fortes 14’38”92 e bateu o recorde olímpico. Tudo indicava que a disputa seria difícil, mas o australiano tinha plenas condições de levar o tri.

Hackett começou na frente, seguido de perto por Ryan Cochrane. Com os 14’40”94 estabelecidos nas eliminatórias, o canadense vinha como o 2° melhor tempo de toda história na prova. Após 700 metros colados com Hackett, o canadense começou a virar na frente, mas o australiano não o deixava descolar. Mas enquanto os dois duelavam, virando na casa dos 29” alto nas parcias de 50, o tunisiano Osama Mellouli vinha chegando na 7, virando sempre para 29” baixo. A partir dos 1100 Mellouli assumiu a ponta e não perdeu mais. Hackett desgrudou de Cochrane e ainda tentou forçar nos últimos 100, mas deveria ter atacado antes se quisesse passar Mellouli. O tunisiano, que treina e estuda nos Estados Unidos, ficou 18 meses suspenso da natação após ser pego no doping por utilizar um remédio com o intuito de o manter acordado durante suas provas na faculdade, mas que figurava também entre as substâncias proibidas. Em Pequim, conseguiu a redenção, levando o ouro e batendo o bi-campeão Grant Hackett, ainda recordista mundial. Com o tempo das eliminatórias (14’38”92) , Hackett levaria o ouro, mas nadando 3 segundos pior na final, o australiano teve que se conformar com a prata.

Cochrane assegurou o bronze numa disputa acirrada com o russo Yuriy Prilukov, que terminou na quarta colocação assim como em Atenas. Larsen Jansen, prata em 2004, foi apenas 5° e o outro americano na prova, Peter Vanderkaay, que chegou a Pequim com o melhor tempo do ano, não conseguiu se classificar para a final.

4×100 medley feminino – Austrália é ouro

Campeãs em 2004, as australianas vinham muito fortes e favoritas ao bi. Com a opção de colocar Libby Trickett para fechar no crawl, a Austrália tinha a campeã do 100 peito (Leisel Jones), a 2ª colocada no 100 livre mas recordista mundial da prova (Libby Trickett) e a 3ª colocada no 100 borboleta (Jessica Schipper). O único ponto fraco era mesmo Emilly Seebohm, que teria que tentar diminuir ao máximo a vantagem certa que Natalie Coughlin imporia aos Estados Unidos.

Coughlin não conseguiu abrir tanta vantagem no costas, mesmo marcando 58”97. A Rússia e a Inglaterra vinham logo atrás e a australiana foi só a quarta nadadora a chegar. Mas com Jones na piscina e sua parcial de 1’04”58, as outras seleções não só foram ultrapassadas como a Austrália abriu vantagem. Para o borboleta, Magnunson, dos EUA ainda buscou Jessica Schipper, e a disputa final seria entre Libby Trickett e a veterana Dara Torres, que já tinha duas pratas em Pequim e queria o ouro. Mas não deu para a americana. Mesmo fechando para a melhor parcial da história, com 52”27, o tempo não foi suficiente para ultrapassar Trickett e a Austrália levou o ouro com novo recorde mundial (3’52”69).

A briga pelo bronze foi boa. A Rússia se manteve na 3ª colocação a prova inteira, mas na saída do crawl a China já virou empatada e quem vinha para fechar era Pang, desclassificada no 100 livre mas um dos melhores tempos do mundo na prova. Não deu outra. A China levou o bronze com 3’56”11, abrindo boa distância das outras equipes. A Rússia não conseguiu segurar nem o 4° lugar, que ficou com a Inglaterra, nova recordista européia da prova.

4×100 medley masculino – Não foi tão fácil, mas EUA levou o ouro e Phelps se consagra como o maior de todos os tempos

Depois da conquista do 6° ouro de Phelps, dizia-se que, conquistando o ouro no 100 borboleta, este já poderia ser considerado o 7° e o 8°. Isso porque seria muito improvável que o revezamento americano perdesse a prova. Mas não foi tão fácil assim, e dessa vez Phelps foi mais que decisivo para a vitória americana.

Peirsol abriu com a condição de campeão olímpico e recordista mundial do 100 costas, mas piorou muito seu tempo e com 53”16 não conseguiu abrir a distância esperada para os EUA. Para piorar, quem caiu para o peito foi Brendan Hansen, que buscava se redimir do seu 4° lugar individual mas nadou mal novamente e entregou para Phelps apenas em terceiro. Kitajima, com uma parcial fantástica de 58”07, colocou o Japão também na briga.

Phelps caiu atrás de Takuro Fujti e Andrew Lautersntein, e ainda virou atrás no 50m, mas com sua virada fantástica assumiu a liderança e entregou para Lezak em primeiro. Após sua atuação fora de série fechando o 4×100 livre, a dúvida era se saindo na frente Lezak também se sairia bem. E se saiu. Sullivan, da Austrália, tentou buscar mas essa realmente não foi sua Olimpíada, e além disso Lezak fechou muito bem. Com 3’29”34, os Estados Unidos levaram o ouro, o recorde mundial e Phelps atingiu seu sonho e objetivo. Chegava à sua oitava medalha de ouro nos Jogos.